Uma mulher resgatada após viver 55 anos em condições análogas à escravidão no Ceará terá direito a aproximadamente R$ 1,5 milhão em verbas trabalhistas. O caso veio à tona após uma denúncia anônima feita por meio do Disque 100, levando equipes de fiscalização até uma residência localizada em um condomínio de luxo na Região Metropolitana de Fortaleza.
Segundo a Auditoria Fiscal do Trabalho, a vítima começou a trabalhar aos sete anos de idade, em 1971, prestando serviços domésticos para três gerações da mesma família. Durante todo esse período, ela nunca recebeu salário, férias, décimo terceiro ou qualquer outro direito trabalhista.
As investigações apontam que a mulher vivia no Piauí com a mãe, ambas vítimas de violência doméstica, quando foram levadas para o Ceará pela matriarca da família. Conforme o relatório, a criança teria sido entregue pela mãe biológica e, desde então, passou a realizar atividades domésticas de forma contínua.
Mesmo sem remuneração, a trabalhadora estava inscrita no Programa Bolsa Família e recebia R$ 600 mensais. No entanto, o benefício era sacado pela empregadora e somente depois entregue à vítima.
Após o resgate, os órgãos responsáveis iniciaram os procedimentos para garantir o pagamento dos direitos trabalhistas acumulados ao longo de mais de cinco décadas. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e poderá resultar na responsabilização dos envolvidos.

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