Começa pesquisa para saber quem teve sintomas da Covid-19

A pesquisa será realizada por telefone


Foto: Marcelo Lima/IBGE 
Começa, nesta segunda-feira (4), a coleta por telefone da PNAD Covid, uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em parceria com o Ministério da Saúde. Cerca de dois mil agentes do IBGE já começaram a ligar para 193,6 mil domicílios distribuídos em 3.364 municípios de todos os estados do país.
No Ceará, mais de 10 mil domicílios receberão a ligação do IBGE sobre a pesquisa, incluindo domicílios rurais. As entrevistas duram aproximadamente 10 minutos e os moradores que receberem o telefonema podem confirmar a identidade dos agentes de coleta por meio do site respondendo.ibge.gov.br ou do telefone 0800 721 8181, informando nome, matrícula, RG ou CPF do entrevistador.
Os primeiros resultados têm divulgação prevista ainda em maio. “Nosso cronograma de coleta vai depender da extensão da pandemia, mas planejamos divulgar os resultados semanalmente, às sextas-feiras”, ressalta a coordenadora nacional de Trabalho e Rendimento do IBGE, Maria Lucia Vieira. Ela ressalta que os dados para Brasil e grandes regiões serão disponibilizados semanalmente, enquanto as informações por estado serão mensais.
A pesquisa vai revelar a quantidade de pessoas que tiveram os sintomas de Covid-19, como febre, tosse e dificuldade de respirar. “Identificaremos a parcela da população que procurou atendimento e em quais tipos de estabelecimentos de saúde. Para os que não buscaram atendimento, vamos descobrir como trataram os sintomas”, explica Maria Lucia Vieira.
Nos casos de internação, será possível saber também se o paciente foi sedado, intubado ou colocado em respiração artificial com ventilador. Já nas situações em que não houve deslocamento até uma unidade de saúde, será perguntado se os moradores receberam, por exemplo, a visita de um profissional de saúde na residência ou se tomaram algum remédio com ou sem orientação médica.
A PNAD Covid também vai apresentar as mudanças no mercado de trabalho neste período de pandemia, abordando questões sobre a prática de home office, os motivos que impediram a busca por emprego e os rendimentos obtidos pelas famílias.
Sigilo das informações coletadas é garantido por lei
Todas as informações coletadas pelo IBGE têm sua confidencialidade garantida pela lei nº 5534/1968, que trata do sigilo da informação e garante que os dados só podem ser utilizados para fins estatísticos.
“Assim como na coleta presencial, o sigilo das informações dos moradores está garantido e são utilizados unicamente de forma estatística e agregada, sem identificação de nenhum deles. Os dados também não são entregues para nenhum outro órgão e seguem os princípios fundamentais das estatísticas oficiais da ONU”, afirma Maria Lucia Vieira.
O IBGE está utilizando sua experiência em coleta por telefone de pesquisas econômicas, mas também se reuniu com técnicos de outras instituições e especialistas até definir o melhor formato disponível.
A maior parte dos telefones cadastrados para contato veio de cadastro do próprio IBGE, seja de visitas anteriores da PNAD Contínua ou do Censo 2010. Outra parcela veio do cadastro do Ministério da Saúde.
O diretor de Pesquisas do IBGE, Eduardo Rios-Neto, conta como o Instituto está lidando com o isolamento social e como foi o processo de elaboração da PNAD Covid. “Determinamos o fim da coleta presencial em 17 de março e, desde então, começamos uma discussão com os técnicos sobre a continuidade das pesquisas, assim como o eventual desenvolvimento de outros produtos. Foi assim que começou a tomar corpo a ideia da PNAD Covid, uma pesquisa de qualidade desenvolvida em prazo tão exíguo, que só foi possível pela total mobilização de todas as diretorias do IBGE e da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence)”.

Postar um comentário

0 Comentários