O governo da Espanha anunciou nesta sexta-feira (31) o envio de tropas militares para Ceuta, enclave espanhol situado no norte da África, com o objetivo de conter a maior crise migratória já registrada na região e restabelecer o controle na fronteira com o Marrocos.
A medida foi adotada após uma intensa onda migratória registrada nos últimos dias. De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, mais de 49 mil pessoas conseguiram entrar em Ceuta, atravessando a fronteira por terra ou pelo mar. Durante a travessia, pelo menos 27 migrantes morreram.
Diante da gravidade da situação, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, esteve em Ceuta nesta sexta-feira para acompanhar de perto a crise. Segundo informações da agência EFE, o governo espanhol informou que as autoridades marroquinas estão colaborando para conter o fluxo migratório, com ações policiais destinadas a impedir novas tentativas de travessia.
A maior parte dos migrantes partiu da cidade marroquina de Fnideq, localizada a cerca de cinco quilômetros de Ceuta. Muitos utilizaram boias para atravessar o mar, contornaram quebra-mares ou escalaram as cercas que dividem os dois territórios.
Imagens divulgadas por agências internacionais mostram um fluxo contínuo de pessoas chegando ao litoral espanhol. Embora a maioria dos migrantes seja composta por homens jovens, também foram registradas famílias inteiras, incluindo mulheres e crianças.
A chegada em massa provocou o colapso da estrutura de Ceuta, cidade autônoma com aproximadamente 18,5 quilômetros quadrados e cerca de 85 mil habitantes. Conforme relataram autoridades locais, as forças de segurança não conseguiram conter o elevado número de pessoas e, em diversos pontos, limitaram-se a acompanhar a entrada dos migrantes para evitar novas mortes durante a travessia marítima.
Representantes das forças de segurança classificaram a situação na fronteira de Tarajal como inédita. Rachid Sbihi, representante da associação da Guarda Civil em Ceuta, afirmou que o sistema de controle fronteiriço "colapsou totalmente".
Ativistas marroquinos também relataram que a travessia ocorreu em circunstâncias incomuns, impulsionada pelo crescimento gradual do fluxo migratório observado nos dias anteriores.
O prefeito-presidente de Ceuta, Juan Vivas, declarou que a cidade não possui condições de enfrentar sozinha uma crise dessa dimensão. Sem vagas suficientes nos centros de acolhimento, centenas de migrantes passaram a dormir nas ruas, enquanto a administração local busca alternativas para enfrentar a situação.
A atual crise supera com ampla margem todos os episódios anteriores registrados na região. Até meados de julho, o governo espanhol contabilizava cerca de 3 mil entradas de migrantes em Ceuta. Agora, a estimativa de mais de 49 mil pessoas supera com folga o recorde registrado em maio de 2021, quando aproximadamente 10 mil migrantes cruzaram a fronteira em apenas dois dias, episódio que mobilizou a diplomacia europeia.
Via portal CM7

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