Internado na unidade hospitalar desde o dia 26 de novembro de 2025, o autônomo Paulino Alves de Melo, 55 anos, chegou ao hospital com episódios de vômitos recorrentes e paralisia facial, sendo rapidamente atendido por um neurologista que orientou o tratamento trombolítico, procedimento de emergência indicado para reduzir sequelas do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Sem familiares em Sobral e ainda confuso após o episódio neurológico, Paulino não conseguiu informar à equipe dados que ajudassem a localizar seus familiares.
*A atuação do Serviço Social no processo de cuidado*
Diante da ausência de referências e da necessidade de garantir acompanhamento responsável durante a internação e no pós-alta, o Serviço Social do HRN deu início a um processo detalhado de identificação. A primeira etapa foi buscar informações no Centro de Saúde da Família (CSF) do bairro onde o paciente residia na cidade, mas não havia registros de vínculos familiares próximos. “Estávamos com pouquíssimas informações quando ele chegou, mas mesmo assim nossa equipe iniciou as articulações. Com a identificação correta do paciente, conseguimos ajeitar o cadastro dele e dar sequência às demais buscas”, explicou a assistente social da Unidade de AVC Agudo, Isla Mayra.
Com os dados pessoais consolidados e a confirmação de que o paciente era natural do município de Graça, cerca de 68 km do município de Sobral, a equipe do HRN acionou a assistência social local, repassando todas as informações disponíveis. A orientação era clara: localizar qualquer familiar que pudesse reconhecê-lo e acompanhar seu cuidado. Nos primeiros contatos, não houve retorno positivo.
Dias depois, porém, o município informou ter encontrado uma possível irmã vivendo em São Benedito, na Serra da Ibiapaba. Em posse dessa nova pista, a articulação ganhou um novo rumo. O Serviço Social do HRN orientou o município a repassar todas as informações à mulher, que imediatamente decidiu seguir até Sobral para verificar se o paciente internado poderia ser seu irmão, com o qual não tinha contato há quase três décadas.
*O reencontro*
Conduzida pela equipe assistencial ao leito indicado, a aposentada Carmelita Alves de Melo, 62 anos, irmã do paciente, entrou em silêncio, sem saber o que encontraria. O reconhecimento foi imediato. Antes mesmo de qualquer palavra, os olhares se cruzaram e o tempo suspenso por 28 anos pareceu ceder. Segundo ela, o irmão deixou o município de Graça para trabalhar em Brasília e nunca mais retornou.
Com o tempo, a ausência de notícias fez a família acreditar que ele pudesse ter morrido. Ainda assim, Carmelita nunca deixou de buscá-lo, fosse por meio de conhecidos ou de relatos esporádicos. “Esse reencontro só não foi melhor porque meu irmão está internado, mas ele vai ficar bem. Vou levá-lo para casa, onde posso cuidar dele”, disse Carmelita.
De acordo com Isla Mayra, localizar familiares é fundamental tanto para assegurar que o paciente tenha acompanhamento responsável quanto para garantir decisões que dependem de autorização legal. “A articulação com os municípios é essencial nesses casos. As equipes sempre nos atendem com prontidão, e isso faz toda a diferença para o cuidado e para a rede de apoio do paciente”, explica a assistente social.
Agora, com a saúde estabilizada e sob cuidado multiprofissional, Paulino segue em acompanhamento no HRN, enquanto a família reorganiza os passos para recebê-lo novamente após quase três décadas de silêncio. Um reencontro que, às vésperas do Natal, ganhou contornos de recomeço.
Saiba mais: https://www.saude.ce.gov.br/2025/12/03/hrn-possibilita-reencontro-entre-irmaos-apos-quase-tres-decadas/

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