Das mais de 15 mil crianças fora da escola, 14 mil tentam vaga em uma creche. A maior demanda está nas idades entre 0 e 3 anos.
Rafaelly Uchôa, desempregada, é uma das mães que não conseguiram vaga para a filha Ágatha, de 1 ano e 2 meses.
“Ela é uma criança inteligente, desenvolvida, e se ela não entrar pode ser que ela perca esse crescimento que ela tem”, diz.
Quando tentou fazer a matrícula em julho desse ano, Rafaelly foi informada de que havia 60 crianças na fila de espera para a creche que fica no Bairro Dom Lustosa, onde mora, em Fortaleza. Até agora, não teve retorno. Situação que compromete a situação da filha e também o orçamento da família. Sem o suporte da escola, Rafaelly está com dificuldades de se reinserir no mercado de trabalho.
“Agora só tem o meu esposo trabalhando. A gente sabe que não tem condições só uma pessoa trabalhando”, conta a mãe.
Perfil das famílias
Mãe solo, de baixa renda e com vários filhos é o perfil da maioria das famílias que estão na luta pelo acesso à educação. A dona de casa Raquel Feitosa é uma dessas mães. Ela tem três filhos, mas a menor, de 4 anos, ainda não sabe o que é escola.
“Ela já fez quatro anos esse ano e eu não consegui ir para creche até agora. Eu tô desempregada, mas quando me surgir um emprego, isso me dificulta”, diz.
Carla Moura, assessora técnica do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-CE), comenta sobre o comprometimento na situação da família com a falta das vagas para as crianças.
“Isso afeta diretamente a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho, pois não há um ambiente onde se deixar essas crianças, não há creche, não há pré-escola. não há vagas nesses espaços, e aí dificulta muito, o que aumenta mais ainda o contexto de vulnerabilidade social dessas famílias e dessa criança também”, diz Carla.
O investimento para a construção de novos centros infantis diminuiu quase 60% de 2021 para 2022. O acompanhamento é feito pelo Cedeca-CE, com informações do Portal da Transparência.
“E para o ano de 2023 a gente percebe um contexto que vem um orçamento ainda pequeno, dada a necessidade do município. Então há a previsão de 13 milhões destinado para a ampliação desses centros de educação infantil, mas que a gente ainda tá falando em termos de previsão, não necessariamente esse orçamento vai ser executado”, diz a assessora técnica do Cedeca-CE.
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Em 2022 foram entregues 11 novos centros infantis e existe a previsão de que outros dois sejam inaugurados até o fim do ano, nos Bairros Granja Portugal e Passaré. O plano da prefeitura é entregar 50 novos equipamentos até 2024. A meta é aumentar 10 mil vagas em creches.
“Enquanto a gente não tem receita para atender a todos, o poder público precisa eleger critérios. O nosso critério de vulnerabilidade é criança com deficiência, criança órfã, criança que a família não tem renda nenhuma, criança que a família tem renda do Auxílio Brasil, não tem outro tipo de renda, e aí vai evoluindo”, informa Dalila Saldanha, secretária de educação de Fortaleza.
Fonte: G1

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