Alzheimer pode ser doença autoimune do cérebro, sugere pesquisador

Professor da University Health Network, em Toronto, acredita que a doença é provocada por um distúrbio do sistema imunológico

“Com base em nossos últimos 30 anos de pesquisa, não pensamos mais na doença de Alzheimer como principalmente uma doença do cérebro. Em vez disso, acreditamos que é um distúrbio do sistema imunológico dentro do cérebro”, escreve Weaver, em artigo publicado no portal Science Alert.

Alguns medicamentos sendo desenvolvidos para a doença concentram esforços no bloqueio da formação de blocos da proteína cerebral beta-amilóide, acreditando que ela seria a causa da doença. Weaver tem a teoria de que a substância não seja produzida em escala exagerada nos pacientes com Alzheimer, mas sim de forma normal, fazendo parte do sistema imunológico do cérebro. A chave pode estar em como o corpo reage.

As semelhanças entre as moléculas de gordura presentes nas membranas das bactérias e as membranas das células cerebrais faria com que a proteína atacasse por engano as células cerebrais que deveriam ser protegidas, causando um processo autoimune. A consequência seria a perda crônica e progressiva da função dessas células, ocasionando na demência.

A artrite reumatoide é um exemplo de doença autoimune, e é tratada com terapias baseadas em esteroides. O professor explica que, embora o caminho para desenvolver novos medicamentos para o Alzheimer pareça óbvio com suas descobertas, o cérebro é um órgão muito completo e a abordagem não deve ser eficiente — porém, mais estudos devem ser feitos com o novo direcionamento.

“Embora as drogas convencionalmente usadas no tratamento de doenças autoimunes possam não funcionar contra a doença de Alzheimer, acreditamos fortemente que direcionar outras vias de regulação imunológica no cérebro nos levará a novas e eficazes abordagens de tratamento para a doença”, afirma.

Aproximadamente 1,2 milhão pessoas vivem com alguma forma de demência no Brasil e, em todo o mundo, o número chega a 50 milhões de pessoas. A organização sem fins lucrativos Alzheimer’s Disease International estima que os diagnósticos globais chegarão a 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050.

FONTE: Metrópoles

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