Embora Monsenhor Vicente Martins da Costa em várias ocasiões tenha citado uma capela erigida em 1650 mais ou menos em Parazinho, anterior a chegada de Domingos Machado Freire, e que esta foi depois reconstruída e aumentada; e o Deputado Guilherme Teles Gouveia tenha assinalado em 1974 no livro “Assentamentos Históricos do Município e a Festa Religiosa de N. S. do Livramento do Parazinho ” que: ” A notícia mais remota e de indiscutível
autenticidade, há de ser a que consta no pedido de terras por Sesmaria, as ilhargas das anteriores doações à margem do rio Coreaú, em cujo documento os peticionários, futuros sesmeiros, em princípios do Século XVIII, fazem menção a uma Capela onde se celebram os ofícios divinos”. Mais tais afirmações carecem de fontes mais detalhadas.
Encontramos citações do Barão de Studart, Dom José Tupinambá da Frota e Monsenhor Sadoc alusivas a Capela de Parazinho, como sendo construída na época do vicariato do Pe. João de Matos Monteiro que nesta região residiu de 1712 a 1724, segundo estes Domingos Machado Freire teria construído a Capela e também várias citações a batismos, visitas e fatos importantes como a escolha da fazenda Caiçara (Sobral) como sede do curato. Entretanto a Oralidade alude a um Naufrágio que aconteceu no litoral norte do Ceará, em que uma nau teria em meio a uma procela vindo a pique, escapando somente três tripulantes, estes fizeram voto a Nossa Senhora do Livramento que se escapassem dos índios e animais selvagens, no local onde encontrassem gente mansa que lhes prestassem auxílio, iriam construir uma capela. Depois de andarem muitas léguas, resolveram repousar sob a copa de um Juazeiro, de lá escutaram um barulho, que segundo os mais antigos era um índio que havia flechado uma onça, este índio os acolheu, dando pouso, alimentação e proteção. Os náufragos cumpriram sua promessa construindo uma pequena casa de oração que segundo os antigos anciãos foi anos após reconstruída e hoje constitui a nave central da igreja velha que vemos hoje.
Após a construção desta capela, incríveis histórias de milagres começaram a se espalhar pela região, e até hoje Parazinho é ponto de convergência de milhares de católicos de todo o Brasil e além fronteiras. Um dos mais antigos registros que se tem sobre a festa do Parazinho data de 1862, no jornal Pedro II, denota um grande comparecimento, muitas festas, missa cantada e procissão, sendo que já nesta época todos os dias foram acompanhados pela banda de música. Não se sabe o motivo nem o ano preciso, mas na segunda metade do século XIX a data da festa foi alterada para o 1° domingo de julho, sendo re-fixado o dia 02 de julho em 1900 pelo Pe. Leandro Teixeira Pequeno que muito contribuiu para o luzimento da festa. Essa data somente foi interrompida em 1958, quando a igreja foi interditada devido desobediência ao decreto episcopal que proibia a realização de festas dançantes e mais recente no ano de 2020 quando foi comemorada no dia de finados.
A Partir de hoje, milhares de pessoas irão passar por Parazinho para acompanhar os atos religiosos aos pés da belíssima e milagrosa, mais que bicentenária imagem de Nossa Senhora do Livramento, romeiros de todo Brasil com destaque para os Estados do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Mato Grosso.
A festa deste ano tem um sabor especial aos admiradores da história desta distinta e graciosa paragem, o fato anteriormente apontado dos 320 anos de fundação do povoado que hoje é a freguesia de Nossa Senhora do Livramento de Parazinho; nestes três séculos e duas décadas aconteceram tantos fatos importantes e tantos vultos por aqui passaram que julgo inapropriado citar nesta nota histórica, desde a chegada de Domingos Machado Freire até nossa chegada nestas terras abençoados pela mãe de Deus muitas histórias e muitas graças foram alcançadas. Hoje quem vem ao Parazinho além da igreja primitiva se confronta com o Santuário atual construído em tempo recorde de um ano e meio (18 meses), obra construída pelo povo sob liderança do saudoso Monsenhor Manoel Vitorino de Oliveira e abençoada a 16 de janeiro de 1944 por Dom José Tupinambá da Frota de venerável memória que a fez Santuário; o açude público, barragem centenária que corta o antes denominado riacho Pará, hoje riacho Jaguarapi, obra idealizada pelo magnífico Monsenhor Vicente Martins da Costa que contou com o apoio do deputado Luiz Felipe de Oliveira. Outros pontos que merecem destaque, e muita atenção de todos, é o abrigo dos romeiros, igual a este só há em Canindé e Juazeiro; e a estátua de Nossa Senhora do Livramento que foi instalada na década de 80.
Parazinho como um todo precisa de mais atenção, por parte da igreja, do governo do Estado e do próprio povo. O autor destas linhas escreveu ao Bispo Diocesano pedindo em nome da comunidade algumas mercês e posições mais firmes da igreja em relação ao Parazinho, quando a isso estamos segurados na ação pastoral do operoso Exmo. Revm. Dom Francisco Edimilson Neves Ferreira, devoto e propagador da devoção à excelsa Senhora do Livramento de Parazinho. Há pouco tempo escrevemos para os setores do governo pedindo melhorias nas estruturas quase inexistentes para o acolhimento dos Romeiros. Temos feito o possível para trazer o progresso, mas isso não depende exclusivamente de nossa vontade, o povo deve embarcar nesse barco com a firme esperança que nossa padroeira não nos deixará naufragar.
Para a festa deste ano de 2022 a paróquia organizou uma programação simples, com missas e novenas, no dia 02 a missa solene que deveria ser celebrada pelo bispo e pela tarde a tradicional procissão em louvor a gloriosa Nossa Senhora do Livramento de Parazinho.
Sintam-se todos convidados para este forte momento de fé, esperança e amor que é a tradicional e secular festa de Parazinho, terra de muitas bênçãos, belezas e milagres.
João Victor Mascarenha

0 Comentários