Quatro meses depois da maior chacina já registrada em Fortaleza, quando 11 pessoas foram executadas a tiros na madrugada de 12 de novembro do ano passado, o Governo do Estado ainda não deu uma resposta à sociedade sobre o caso. Embora tenha prometido uma “rigorosa” apuração”, o governador Camilo Santana (PT) ainda não cumpriu sua palavra, e os assassinos permanecem impunes.
A chacina ocorreu logo após o assassinato de um policial militar, na noite de 11 de novembro em um campo de futebol society no bairro Lagoa Redonda, na Grande Messejana. Horas depois, uma sequência de execuções sumárias resultou em 11 mortos e, ao menos, seis pessoas feridas (baleada).
Vários jovens que não possuíam nenhum histórico criminal foram arrastados de dentro de suas casas e executados com tiros de pistola na cabeça diante de seus familiares e vizinhos, nos bairros Curió, Lagoa Redonda e Conjunto São Miguel. Apenas dois dos 11 mortos tinham antecedentes criminais.
O caso imediatamente passou a ser investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas 48 horas depois, o próprio governador Camilo Santana determinou que o caso fosse transferido para a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD).
Tal transferência deve-se à descoberta de indícios de participação de agentes da Segurança na matança. Entretanto, o caso passou a ser investigado em sigilo por três delegadas da Delegacia de Assuntos Internos (DAI). Camilo Santana informou nas poucas vezes que abriu a boca para falar do caso que iria “até as últimas conseqüências” para não deixar os assassinos impunes. Alegou que iria pedir a ajuda da Polícia Federal. Ficou na conversa. Até agora, ninguém foi preso e as famílias dos mortos clamam por justiça.
Por FERNANDO RIBEIRO
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