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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O tiro não foi vontade minha', diz funcionário que matou jovem em restaurante



Adolescente de 17 anos foi morto no pomar do Restaurante Paraíso Tropical, no Cabula, onde autor do disparo cuidava de galos de até R$ 35 mil.  
Quase quatro meses depois que o adolescente Guilherme dos Santos Pereira da Silva, 17 anos, foi encontrado morto no quintal do famoso restaurante Paraíso Tropical, no Cabula, Fabilson Nascimento Silva, 31, foi preso e admitiu que foi o autor do tiro que matou Guilherme. Fabilson, conhecido como Barriga, foi preso pela polícia na última sexta-feira (29) em Serra Talhada, Pernambuco. Nesta quarta-feira (2), Barriga foi apresentado pela polícia no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com as investigações, a função de Barriga era cuidar da coleção de galos do chef Beto Pimentel, dono do restaurante. Foto: Alberto Maraux/ Divulgação SSP "O tiro não foi vontade minha, que Deus conforte a mãe dele", afirmou Barriga ao admitir que foi o autor do disparo que matou o adolescente. Guilherme tinha entrado no terreno, segundo a família, para pegar frutas. Barriga foi indiciado por homicídio e ocultação de cadáver. Barriga confessou que matou o jovem com um tiro após ouvir passos, por volta de 17h30. "Quando ouvimos o barulho, saímos pra fora e foi ele (Beto) quem me deu a arma, mas o tiro foi acidental", disse Barriga, que contou, em depoimento, que ele e Beto haviam dado falta de três galos - um deles avaliado em R$35 mil. O animal ficava na área onde o corpo do adolescente foi encontrado. A arma utilizada foi uma espingarda calibre 20. "Ele (Beto) me deu a arma e acabou tocando em mim, foi um acidente, eu não queria", enfatizou Barriga. Chorando durante a apresentação à imprensa, ele disse que trabalhava há dois anos com a carteira assinada pelo chef. De acordo com a defesa de Beto, Barriga havia sido contratado como galista - nome dado a quem cuida, cria e treina galos de briga. "Eu sou um pai de família, trabalhador. Eu estou arrependido, mas agora estou aqui. Pensava em me entregar, mas estava trabalhando lá em Pernambuco". Barriga é casado e três filhas, além de outros dois filhos que recebem pensão do funcionário. O delegado disse que duas equipes do DHPP se deslocaram para Pernambuco após investigação do serviço de inteligência terem identificado que ele estava lá. Segundo o delegado Guilherme Machado, coordenador da 2ª Delegacia de Homicídios, em depoimento, Barriga admitiu que contou com a ajuda de outra pessoa para esconder o corpo do jovem. "Ainda é prematuro dizer que Beto tem envolvimento. Foi Barriga quem atirou mas o inquérito ainda não foi concluído", destacou o delegado. Machado disse que Beto falou à polícia que a arma é de propriedade de um funcionário que teria deixado lá no estabelecimento. A delegada Jussara Andrade, que também integra as investigações, destacou que a prisão de Barriga é temporária por até 30 dias. Segundo ela, é o tempo para concluir o inquérito. A delegada disse ainda que Barriga tem passagem no Centro de Acolhimento de Menores, quando ainda era adolescente, por homicídio. Dono de restaurante nega que tenha entregado arma Procurado pelo CORREIO, o advogado Alano Frank, que defende o chef, contou que após a prisão de Fabilson, Beto Pimentel foi novamente à delegacia e foi feita uma acareação sobre o que aconteceu no dia do crime. "Ele esteve frente a frente com Fabilson, e os fatos foram se alinhando. Ficou comprovado que foi legítima defesa. Estava escuro e eles não conseguiam ver quem estava ali", disse o advogado. Ainda de acordo com ele, Beto negou que tenha entregado a arma para o segurança atirar nos jovens que entraram na área do restaurante. "É uma incongruência essa informação", resumiu. Apesar de não fazer a defesa de Fabilson, Alano disse ainda que o segurança fugiu porque tinha medo de morrer dentro da prisão. "Ele tinha medo de o menino ser sobrinho de um traficante, e ser morto por traficantes no presídio", contou.


Postado por Jean Claudio

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