quarta-feira, 12 de julho de 2017

A MORTE DE POLICIAIS E OS DIREITOS HUMANOS

Temos no Brasil, em média, 490 policiais mortos por ano. Isso significa que são 1,34 policiais sendo mortos por dia no país. Por dia, gente. É um número aterrador.


Anteontem foi o Cabo Marcos, de MG, hoje será outro. Ou mais de um, talvez. Os dados sobre vitimização policial são fáceis de serem encontrados na internet. São inúmeras as pesquisas, as matérias jornalísticas e os artigos científicos disponíveis. Diversos estudiosos atentam para o problema dos altos índices de letalidade e vitimização policial, e não é de hoje.

Temos a polícia que mais mata, mas também a que mais morre no mundo. As atuais políticas públicas de enfrentamento à criminalidade, aliadas à desvalorização da carreira e o precário treinamento colocam todos os policiais em situação de extrema vulnerabilidade.

Então, não me venha com essa história de que "não saiu uma linha na imprensa sobre a morte do Cabo Marcos"; que "os defensores dos direitos humanos não lamentaram a morte do policial"; que "mais um herói morreu"; que "os policiais são os guerreiros da sociedade". Como eu disse, tanto a letalidade quanto a vitimização policial são assuntos discutidos com frequência nos jornais, em páginas na internet, nas redes sociais e nos cursos preparatórios das academias de polícia. Policial não é herói, nem guerreiro: é um cidadão e um trabalhador e, como tal, sujeito de direitos. No entanto, é justamente pela situação de constante violação de direitos humanos em que os policiais se encontram é que assistimos, diariamente, a essa carnificina.

Em vez de colocar a culpa nos direitos humanos, que tal nos ajudar na luta pelo reconhecimento desses direitos aos policiais?

Não precisamos de guerreiros: precisamos de profissionais qualificados, bem treinados, conscientes de sua função social.

À família do Cabo Marcos, toda a minha solidariedade.

*Escrito por Bianca Braile, delegada da Polícia Civil em Minas Gerais.
Fonte: Policial Pensador

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