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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Morte de Marlove põe em destaque a causa em defesa dos animais de rua de Sobral. Um risco à saúde pública


A morte do sobralense Humberto Ricardo Pimentel, 47 anos, no dia 5 deste mês, colocou em pauta a causa da defesa animal na cidade, principalmente gatos e cães abandonados. Mas quem era Humberto Ricardo? Talvez ninguém o conheça pelo nome de batismo, mas muitos vão lembrar do popular Marlove, morador do bairro Campo dos Velhos, que alimentava e cuidava de gatos e cães abandonados, principalmente no Parque da Cidade e nas imediações da paço municipal.

Sua imagem ficou marcada pela sua cabeleira extravagante, que lembrava o cantor de reggae Bob Marley, embora ultimamente já andasse com um corte rebaixado. De fato, ele era uma figura conhecida pela cidade, principalmente nos grandes eventos, ou quando militava em campanhas políticas, tremulando a bandeira de algum candidato por aí. Entretanto, era o seu gesto de usar os seus parcos recursos financeiros para alimentar os animais abandonados, ou não, como era o caso dos pombos, sempre presentes em revoada ao Parque da Cidade, em hora marcada, à espera das porções do alimento distribuído por Marlove, que o fazia admirado e injustamente taxado de louco.
Em junho de 2011, desolado com a matança de gatos

Quando cheguei em Sobral, em 2001, fui vizinho da sua família e o conheci como Marlon. Depois me mudei da rua, mas vez por outra o encontrava pela cidade e batíamos breves papos. Em suas conversas, a sua preocupação era sempre a mesma, os maus- tratos sofridos pelos animais abandonados, principalmente os gatos. Certa vez, em junho de 2011, o encontrei muito desolado e revoltado, foi quando ele me relatou de uma matança de 18 de felinos, massacrados de forma cruel no seu bairro.

Com a morte do Marlove, um cuidador voluntário dos animais abandonados de Sobral, o assunto entrou em pauta, despertando vários olhares e opiniões. A sua ação solitária, bem como a luta em favor da causa animal em Sobral, dos grupos Anjos de Patas e Associação dos Seres Viventes, era a prova de que o tema não contava com a preocupação da gestão passada. Por opção ou omissão, a secretaria da saúde nada fez, mesmo ciente de que gatos e cães vadios representavam um grave risco à saúde pública. Estes animais vagando pela cidade, sem controle, podem transmitir, além da letal raiva, doenças como toxoplasmose, infecções por estafilococos, entre outras. Outro grave problema são os acidentes sofridos pelos motociclistas, provocados pela matilhas soltas por aí, quando um ou outro cão cruza inesperadamente à frente das motocicletas, ou atacam os condutores. 
Sensibilidade

Apesar da situação temerária, a boa notícia, entretanto, é que o atual prefeito, Ivo Gomes, demostrou, durante a sua campanha, sensibilidade para a causa e pretende resolver o problema dos animais abandonados pela cidade. É muito cedo para comemorar alguma mudança de cenário, afinal o prefeito ainda está nos seus primeiros dias de trabalho frente à prefeitura, e como se diz, ainda está arrumando a casa. Porém, os membros dos grupos que defendem a causa animal em Sobral já demonstram um novo ânimo e estão esperançosos com uma política voltada, também, para o bem-estar dos animais irracionais. 

Que em breve, tenhamos uma cidade livre de animais abandonados, que tenhamos cidadãos conscientes e não desovem as crias dos seus animais de estimação na via pública. Que a nova gestão chame para si esta responsabilidade de caráter ambiental, pois está na lei, uma vez que abusos e maus-tratos contra animais configuram crime ambiental, Artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 - Lei de Crimes Ambientas. Que dias melhores cheguem para os animais abandonados, que os voluntários e simpatizantes da causa sejam apoiados, só assim as ações de Marlove/Marlon/Humberto, em defesa dos animais abandonados de Sobral, terá valido a pena. Descanse em Paz.

Matéria e foto principal do jornalista Vanderley Moreira (JP 1641-CE)

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