terça-feira, 25 de outubro de 2016

Intestino de Jaqueline explodiu pós-endoscopia. Ouça versão do médico



Em um áudio gravado pelo marido de Jaqueline, médico Lucas Seixas Doca Junior conta a sucessão de fatos que levaram Jaqueline à morte.


Os familiares de Jaqueline Ferreira de Almeida, 32 anos, ainda tentam entender como uma endoscopia, considerada um procedimento simples, levou a autônoma à morte na quinta-feira (20/10). O Metrópoles conversou com o marido de Jaqueline, o gestor de tecnologia Valdery Brito, na tarde deste sábado (22/10). Antes da morte da esposa, ele gravou uma conversa em que o médico Lucas Seixas Doca Júnior, responsável pelo exame, explica a sucessão de fatos que resultaram no óbito.

Valdery conta que a esposa tinha uma endoscopia marcada pela manhã de quarta-feira (19/10) com o médico, na clínica Endogastrus, no Sudoeste. O procedimento seria simples e deveria terminar em menos de 40 minutos. Segundo o marido, o exame serviria para analisar se a esposa estava apta a passar por um teste de coagulação por plasma de argônio. O objetivo é de evitar que pessoas que já fizeram cirurgia bariátrica voltem a ganhar peso. A autônoma havia feito essa operação em 2012 com outro médico e, segundo Valdery, sem maiores problemas. “A saúde dela era perfeita”, explica.

Quando o procedimento ultrapassou os 40 minutos, o marido procurou mais informações sobre a esposa. Depois de uma hora, o médico explicou que Jaqueline não havia expelido o gás utilizado no procedimento e deixou que ele visse a mulher. Ela estava com a barriga inchada e com a aparência debilitada.
Eu tenho uma imagem de quando a vi gravada na minha mente. Ela estava com os olhos abertos, mas o olhar era de agonia. Parecia que estava respirando por aparelhos e com a barriga muito inchada. Fiquei chocado com aquela visão"

No áudio, o médico diz que o ar usado para fazer o exame deveria ter saído pelo ânus. “Mas ela não conseguia nem arrotar nem soltar os gases. Assim, achamos que ela estava obstruída. Chamei o proctologista para fazer uma colonoscopia, mas o intestino estava cheio de fezes”, afirmou.

No início da tarde, como Jaqueline não expelia o gás, os profissionais perceberam a gravidade do caso e entraram em contato com o plano de saúde para solicitar uma ambulância que a levasse a um hospital. Segundo Valdery, o pedido foi feito por volta das 14h30. A ambulância, no entanto, só chegou depois das 20h. Jaqueline, que estava acordada, teria sugerido chamar um veículo do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas foi informada pelos profissionais de que, nesse caso, só poderia ser levada a um hospital público.

Ela esperou 15 minutos no pronto-socorro e, quando foi atendida por uma médica, a encaminharam à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao dar entrada na UTI, teve uma parada cardiorrespiratória e foi reanimada. No entanto, os especialistas tiveram de abrir a barriga de Jaqueline para expelir o gás. A autônoma, então, foi encaminhada a uma sala de cirurgia, onde constataram que o intestino delgado dela havia estourado. “Deve ter rompido no final da tarde. Quando eu abri na UTI e vi, já havia rompido. Eu só esperei ressuscitar e fui para o centro cirúrgico”, contou o médico no áudio.

Lucas fala ainda sobre a possibilidade de Jaqueline não resistir. “Tem risco de morrer de hoje para amanhã. Eu acho que isso vai acontecer não. Mas eu posso ser frustrado. Ore e peça a Deus atuar, esse é o caminho”, afirma.

Por volta das 2h30 de quinta-feira (20/10), o marido foi aconselhado a ir para casa, pois acompanhantes não podem permanecer na UTI. Trinta minutos após chegar na residência, Valdery recebeu a ligação do hospital pedindo que ele voltasse à unidade com a família.

O óbito de Jaqueline Almeida foi constatado às 3h40 e a causa da morte está listada como parada cardiorrespiratória. “Só queremos saber o que realmente aconteceu. Por que demoraram tanto a levá-la para o hospital? Por que não recebeu um atendimento mais urgente? Queremos esclarecimentos”, desabafa o marido.

Após a morte, Valdery reclamou também da falta de estrutura oferecida pela clínica do Sudoeste. “Ela falava e andava com muita dificuldade. Teve de ser carregada de uma sala para outra porque o centro não tinha uma cadeira de rodas. Eles também não tinham UTI Móvel ou aparelhos para medir a pressão e o índice glicêmico dela”, diz indignado.

O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). O resultado da perícia médica deve sair em até 30 dias.

Efeitos na família
Jaqueline e Valdery eram casados oficialmente há três anos, mas o relacionamento deles já durava 10. Familiares e amigos estão perplexos com a prematura morte da autônoma. “Minha esposa era muito popular. Só nos últimos dias, o nome dela já foi citado milhares de vezes nas redes sociais. Todos gostavam da Jaqueline”, afirma Valdery.

O casal também tem uma filha, a pequena Maria Clara, de 11 meses. Segundo o pai, mãe e filha eram muito unidas: “Tem sido difícil colocar ela para dormir desde que tudo aconteceu, já que ela costumava mamar no seio da mãe e sente falta disso”, explica, emocionado.

O aniversário de um ano de Maria Clara está marcado para o próximo dia 12 de novembro e, segundo a família, a data ainda será comemorada. “No dia anterior, eles haviam feito um book de fotos smash the cake, em preparativo para a festa. Vamos manter tudo. Nos últimos dias, ela estava radiante e muito animada para o aniversário da filha e o casamento do irmão, marcado para os próximos dias. Tenho certeza que, onde quer que ela esteja, ela quer que a festa continue”, diz o marido.

Fonte: Metrópoles

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